ALAGOAS QUE ENCANTA: UMA VIAGEM ENTRE HISTÓRIA, CULTURA E AS BELEZAS DO VELHO CHICO

Jornalistas de turismo de diversas regiões do país percorreram destinos históricos, culturais e naturais durante o encontro nacional realizado em Piranhas.

Algumas viagens nos apresentam destinos. Outras nos apresentam histórias. A experiência vivida durante a reunião do Conselho Nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (ABRAJET), realizada em Alagoas, foi uma combinação perfeita dos dois.

Ao longo de alguns dias, jornalistas especializados em turismo de diversas regiões do Brasil tiveram a oportunidade de conhecer um estado que vai muito além das imagens paradisíacas que frequentemente estampam campanhas promocionais. Alagoas revelou sua essência através de sua gente, de sua cultura, de seu patrimônio histórico e das paisagens que parecem ter sido desenhadas para surpreender até os viajantes mais experientes.

Nossa jornada começou em Marechal Deodoro, primeira capital alagoana e uma das cidades históricas mais importantes do Nordeste. Caminhar por suas ruas preservadas é como folhear páginas vivas da história brasileira. Igrejas centenárias, casarões coloniais e praças que guardam memórias de diferentes épocas ajudam a compreender a relevância cultural daquele município.

Um dos momentos mais marcantes da visita foi conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, recentemente restaurada. O trabalho de recuperação devolveu à população e aos visitantes um dos mais importantes patrimônios religiosos e arquitetônicos da região, reforçando a importância da preservação da memória histórica como ferramenta de valorização do turismo cultural.

Entre uma visita e outra, a famosa Praia do Francês nos lembrava que Alagoas possui uma capacidade rara de unir patrimônio histórico e belezas naturais em um mesmo roteiro.

Mas foi ao seguir rumo ao sertão que a viagem ganhou contornos ainda mais surpreendentes.

À medida que nos aproximávamos de Piranhas, o cenário mudava gradativamente. O litoral dava lugar à paisagem característica do sertão nordestino, até que, de repente, surgia diante dos nossos olhos uma das cidades mais encantadoras que já tive a oportunidade de conhecer.

Piranhas parece desafiar o tempo. Seu casario colorido, cuidadosamente preservado, as ruas de pedra e a vista privilegiada para o Rio São Francisco criam uma atmosfera única. Não por acaso, o município é considerado um dos mais importantes destinos históricos e culturais do Nordeste.

Foi justamente ali que aconteceu a reunião do Conselho Nacional da ABRAJET, reunindo profissionais que têm a missão de divulgar os destinos turísticos brasileiros e contribuir para o fortalecimento da atividade em todo o país.

Além das atividades institucionais, a programação proporcionou uma verdadeira imersão nos atrativos da região.

O ponto alto, sem dúvida, foi a visita aos cânions do Rio São Francisco.

Mesmo para quem já viu inúmeras fotografias do local, a experiência presencial é impactante. Navegar pelas águas tranquilas do Velho Chico enquanto gigantescos paredões rochosos se erguem ao redor é algo difícil de descrever. Há uma sensação de grandiosidade e contemplação que transforma o passeio em uma experiência memorável.

O Rio São Francisco não é apenas um recurso natural. Ele é parte da identidade do Nordeste, da história de inúmeras comunidades e da construção cultural de toda uma região.

Outro aspecto que chamou atenção foi a forma como Piranhas conseguiu transformar sua riqueza histórica em produto turístico sem perder sua autenticidade.

Os museus dedicados ao sertão e ao cangaço ajudam a compreender personagens que marcaram a história brasileira, especialmente figuras emblemáticas como Lampião e Maria Bonita. Mais do que apresentar objetos e documentos, esses espaços preservam narrativas que continuam despertando curiosidade em visitantes de todas as idades.

Também tivemos a oportunidade de conhecer a Vila de Entremontes, onde a tradição do bordado atravessa gerações. Conversar com as artesãs e observar a delicadeza do trabalho manual permitiu compreender como o turismo pode atuar como instrumento de preservação cultural e geração de renda para as comunidades locais.

A gastronomia foi outro capítulo especial dessa experiência. Em restaurantes como o Dona Gui, os sabores regionais ganham protagonismo. Entre pratos típicos, música ao vivo e a hospitalidade sertaneja, fica evidente que a culinária local é uma atração turística por si só.

Ao longo da viagem, uma percepção tornou-se constante entre os participantes: Alagoas vive um momento de fortalecimento turístico baseado não apenas em suas praias, mas também na valorização de seu patrimônio histórico, cultural e ambiental.

O trabalho desenvolvido pelos gestores públicos, empreendedores e profissionais do setor demonstra que o turismo moderno vai muito além da contemplação de paisagens. Ele passa pela preservação da identidade local, pela qualificação da experiência do visitante e pelo envolvimento das comunidades.

Ao retornar para casa, trouxe comigo centenas de fotografias, anotações e histórias. Mas, acima de tudo, trouxe a convicção de que Alagoas possui uma das ofertas turísticas mais completas do Brasil.

Entre o azul do litoral, a riqueza histórica das cidades centenárias e a imponência dos cânions do Rio São Francisco, o estado oferece experiências capazes de emocionar, surpreender e inspirar.

Mais do que uma viagem profissional, foi uma oportunidade de compreender por que tantos visitantes retornam a Alagoas. Alguns destinos são lembrados pelas paisagens. Outros, pelas experiências.

Alagoas consegue ser inesquecível pelos dois motivos.

Por Marcelo A. Silva — jornalista de turismo, membro da ABRAJET/SP

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